Nunca imaginei que meu rumo profissional iria se conectar tanto com a minha busca pelo autoconhecimento. São coisas que a gente não escolhe conscientemente, elas simplesmente acontecem.

Minha formação foi em Comunicação e Marketing pela FAAP, mais precisamente falando, em Rádio e Televisão. Meu pai é cineasta e meus pais sempre me apoiaram muito no que eu quisesse estudar. Comecei cedo no teatro e entrei no mundo da arte desde criança. Um privilégio nessa vida afinal, sem oportunidades eu nada seria… Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias.

Cursei Direção de Fotografia na AIC, também em São Paulo. Nessa época, trabalhava em uma produtora na parte de edição/finalização e assistência de direção. Estudava teatro e fazia cursos de clown e de improviso. Sempre fui apaixonada pelo improviso quando o ator está exposto à vulnerabilidade pura e dentro disso, a platéia se reconhece. O teatro é um divisor de águas na vida de qualquer pessoa e com certeza, uma ferramenta incrível de autoconhecimento e aceitação. Tanto de si mesmo, como do outro.

Me aventurei também na poesia desde pequena, principalmente através do rap. Escutava o tempo todo, gostava das letras que faziam pensar e questionar o sistema atual. Quando cresci um pouco mais, comecei a improvisar umas rimas sem pretensão. Fui então aprender a tocar violão pra poder compôr minhas próprias letras, apesar de que ainda estou no processo de gravar e divulgar as canções que já escrevi.

Em uma desviada boa do destino, logo depois de fazer 23 anos, fui morar nos Estados Unidos. Minha madrinha, que inclusive já criou muita arte comigo e foi outra pessoa que acreditou muito em mim, me chamou para passar o fim de ano lá. Eu estava em SP, cheia de planos, abrindo minha produtora, me formando no teatro e acabava de terminar uma temporada de apresentações no Teatro do Ator. Pensei que umas férias seriam bem vindas.

Quando percebi, já tinha usado todas minhas economias, vendido todos os equipamentos que investi pra produtora e o que seria um mês se tornaram cinco anos. No começo ninguém entendeu o porquê de não ter voltado, nem eu não entendi muito bem o chamado, mas sentia que aquele era o lugar onde eu precisava estar.

Diante de todos os desafios que é morar fora do país e ficar longe de tudo que construímos até então, entendi que era hora de reconstruir. Trabalhei com dublagem dirigindo atores e dublando para novelas, cartoons da Netflix e filmes que iam para o Brasil. Saí de lá para trabalhar no Discovery Channel, dentro do time de criação do Discovery América Latina. Escrevia roteiros, desenvolvia campanhas, criava ideias com o time de México, Brasil e Colômbia e cuidava da parte de tradução do que vinha em espanhol e inglês.

Paralelo ao trabalho no Discovery, comecei a escrever meus próprios textos. A ideia de escrever na pele não surgiu como um projeto, ela se realizou. Foi dentro daquelas coisas que eu disse no início, que não são pensadas conscientemente mas simplesmente acontecem. Comecei a escrever em mim, pra ver se me resgatava. Pra ver se voltava a me pertencer, em um momento que me senti muito desconectada da minha essência e não sabia o caminho da volta.

Com certeza na arte tem muita cura e foi nessa busca que eu me reencontrei. Sai do Discovery e fui investir no meu sonho, que na verdade, não era meu sonho. Se tornou. São os sonhos que nos escolhem. Coragem é viver esse sonho que nos escolheu.

Entrei pro estudo do ser e me aprofundei em cursos de curas energéticas, naturais e de autoconhecimento. Juntei a escrita, a fotografia e a arte. Comecei a trabalhar com mídia social e entender o poder da ferramenta, principalmente quando usada para um propósito maior.

Comecei a desenvolver os ensaios fotográficos, as artes digitais, as conexões, as reflexões e os reflexos que o trabalho proporciona.

Nesse caminho, me re-conectei comigo, com as pessoas e descobri uma nova realidade. Dentro dela, ainda sigo redescobrindo a arte, a foto, a escrita e a maneira de expressar tudo isso, na medida que vamos nos transformando e nos reaprendendo também. Talvez o resultado ideal realmente nunca chegue. Talvez ele nem exista. Vejo a gente colocando expectativas demais em cima de nós e tenho aprendido a desapegar delas.

Crio e escrevo porque sem isso não conseguiria viver. Talvez sobreviver. Às vezes me sinto caindo na mesmice e perdendo o sentido da criação. Mas vejo que quando diminuo as expectativas, aumento as bençãos que chegam e reencontro as mensagens que busco transmitir.

O artista não cria pelo sucesso. O artista cria pelo progresso, dentro e fora de si.